Como uma inútil maneira de te segurar,
eu deixei de me amar pra te existir.
Me deixei de lado
pra ti ficar do meu lado.
E achei que funcionaria perfeitamente.
Achei que ficando longe de mim,
iria ficar perto de você, ou
que, necessariamente pra estar perto de você,
teira que me deixar pra trás.
Como se só você existisse nessa relação.
Nossas conversas eram monólogos, onde só você tinha razão.
Onde só você via e só suas opiniões eram válidas.
Eu realmente achava que assim
você seria meu para sempre.
Eu queria que isso funcionasse de qualquer maneira.
Queria te fazer me engolir.
Você teria que ficar perto de mim,
já que eu te fazia tão bem.
Ou achava que fazia...
Isso já não importa.
Já que o que restou de nós dois,
foram pedaços de vidas.
Retalhos de uma história que jamais existiu.
Uma história que aconteceu, mas era somente um participante: você.
Eu era apenas uma coadjuvante.
Encarnei o personagem e fiquei encenando, até que aquele teatro terminasse.
E foi assim.
Sem aplausos, sem telespectadores, sem plateia.
Quando acabou, eu me vi só.
Não me conhecia mais,
Não tinha ninguém.
Era só você, e sem você,
tudo começaria do zero.
O que eu tinha feito de errado?
O que foi que eu pensei,
quando achei que um mundo que só tivesse você,
não seria o bastante para nossa relação?
Eu estava redondamente errada.
A gente teria sido mais feliz com outros personagens,
outras atuações.
Talvez eu não teria ficado tão só.
Mas depois de algum tempo,
alguns meses sozinha, percebi que tinha mais gente além de você.
Eu mesma.
Aprendi a me conhecer e a me perceber.
E vi que talvez eu fosse a personagem principal,
da minha própria história de amor.
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