domingo, 13 de julho de 2014

Pequenas mudanças

part 4

 Chegando em casa, tirei minhas roupas ensopadas, e as  joguei dentro da pia do banheiro, coloquei a cabeça debaixo do chuveiro e senti a água morna escorrer pelo meu corpo. Pelo menos a água do lugar era quente.

Ok, agora eu precisava ter algum foco na minha vida, qual, ainda não descobri. Assim que sai do banho escutei alguém bater na porta. Botei a roupa com o corpo úmido, e fui olhar quem era. Ao abri-la  vi apenas um bilhete  no chão, o peguei vi o meu nome escrito em letras de forma, olhei para os lados,  o corredor estava vazio. Sai correndo em direção a escada e desci alguns degraus e nada, quem tivesse entregado este bilhete já tinha fugido. Subi os degraus correndo, pensando em quem podia ter entregado tal bilhete, não fazia sentido, ninguém sabia que eu havia saído do reformatório, quem poderia ser ?!
  
A dois degraus para chegar ao meu andar, esbarrei em um rapaz.

- Ai!!! Desculpa senhor... Moço érrr... Enfim desculpa.

 Olhei para o rapaz, ele me encarava de forma séria, reconheci aquele olhar de algum lugar, ele massageava o próprio braço que eu havia esbarrado. Logo respondeu:

-Ok, não tem problema, só não suba as escadas distraída  e correndo. Você é nova aqui ?

- Hãm... Sim...

-Ok, boa sorte. escolheu um péssimo lugar pra morar.


 Ele voltou a descer as escadas, e antes de sumir do meu campo de visão, deu uma olhada para cima onde eu estava e deu um sorriso debochado. 


Este conteúdo faz parte da propriedade intelectual dos autores do amandashh. Não copie sem fazer a devida referência. Obrigada pela compreensão.

A dor de quem não esquece.

O que vai ser de mim
quando você esquecer tudo?
Quando você não lembrar mais de nada,
família, amigos?
Como vou contar a sua história para você?
Quando penso nisso, minha vontade é ambígua.
Não sei se choro pelo o que virá,
ou se sorrio por ainda ter você integralmente comigo.
Eu vou sentir sua falta.
E isso vai ser muito forte,
porque você ainda vai estar aqui,
mas a sua memória jamais voltará.
As vezes a sua mente falha,
e quando isso acontece,
eu vejo o quão frágil é o ser humano.
Pois, você sempre foi alguém forte,
batalhadora, e agora, está a merce de uma doença sem cura,
que irá lhe deixar usando fraudas.
Os papéis se inverteram,
agora sou eu o avô,
e você, a minha primeira neta.
Também me sinto sem chão,
sem base.
Na hora que o médico anunciou seu diagnóstico,
minha mente flutuou.
Parece tudo um grande pesadelo.
O mais difícil é não se deixar abater
diante de uma família que abandona,
esquece,
prefere fingir que não viu.
Assumir a responsabilidade sobre alguém que não vai dizer
nem ao menos obrigada,
não porque não quer, pois seu o tamanho da sua educação e bons costumes,
mas porque irá esquecer.
Sua mente simplesmente vai me fazer evaporar,
vai ser mais um pedaço,
mais alguns fatos,
que irão sumir.
Hora volta, hora some.
Você não irá só se comportar como uma criança,
como tantos leigos insistem em preconceituar esse mal,
mas irá se esquecer como se faz tarefas simples do dia a dia.
Atividades que antes eram rotina,
cruciais para uma boa vivência,
serão apagadas,
relembradas,
esquecidas.
E no fim,
sobrará eu.
Somente eu.
A sua mente irá terminar o trabalho perverso me esquecendo,
mas eu não vou me abater.
Porque eu cuido de você pelo o que você fez,
pelo o que foi,
pelo o que eu serei.
Um ato de amor,
é isso que eu farei da minha vida.




















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Pequenas mudanças

part 3

 -Rana , Rana Milart.

Ele arregalou os olhos, respirou fundo.

- Então você é a...

 Não deixei ele completar a frase, maldito jornal da cidade que aumenta mil vezes uma noticia que era pra ser tão insignificante.

- É exatamente. Senhor, prometo não causar confusão! Preciso deste emprego, me da uma chance !?

 Ele me olhou da cabeça aos pés, garanto que minha roupa esturricada não estava ajudando muito. Logo ele suspirou, e voltou com expressão  suave.

- Ok menina Rana, vou lhe dar uma semana de teste. Volte amanhã cedo, temos bastante coisas a fazer.
  
Fiquei surpresa, senti um breve sorriso fugir dos meus lábios, mas como ele veio fugiu da minha face. Me levantei, agradeci a chance e logo ja estava indo para "casa" novamente. A garoa já tinha parado, e dado lugar para chuva forte, sim a minha sorte tinha sido momentânea, ahrg ... Como eu odiava esse lugar. 

  
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As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras

É tudo uma questão de valores,
dinheiro, favores.
Os méritos, a inteligência foi deixada de lado.
Não há uma verdade nessa jogada,
a maioria considera um bom negócio,
uma boa proposta.
Se engana quem pensa que há jogo,
que é divertido.
Na verdade,
quem pensa é que está por fora.
Somos uma banda de tolos,
somos os últimos a saber do playback.
O que me deixa mais abismada,
é todo o teatro.
Está tudo virado de cabeça pra baixo.
Nosso maior perigo é a língua,
nossa arma mais poderosa é a verdade.
Todos sabem, mas ninguém pode falar.
Não podemos construir novas sinapses,
se não, os zumbis roubam nosso cérebro.
E há quem diga que eu estou viajando,
falando besteira.
Quem fala besteira é aquele que acredita na grande mentira,
que esconde a maior fraude dos últimos tempos,
os maiores ladrões,
as piores pessoas,
os jogadores mais fortes.
E olha lá, se não é os mesmos jogares,
em uma formação diferente,
pra maquiar toda essa brincadeira.



























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Você é, meu vício sem fim...

Essa é a ultima vez,
já houverão outras ultimas,
mas essa é de verdade
Eu não aguento mais me transformar em alguém que eu não quero ser.
É a ultima tragada,
a ultima fumada,
a ultima cheirada.
O pó branco invade a minha narina e eu sinto um prazer
fora do normal.
Depois vem a dor,
o desespero,
a culpa.
Eu não quero,
não sinto mais.
A pedra queima devagar,
e o baseado vai me fumando.
Eu sinto meu corpo virando cinza
em um ato que eu poderia evitar.
Mas você nunca poderia entender.
É muito mais forte que eu,
não posso segurar,
não consigo não saciar.
Eu me sinto bem,
e depois, péssima.
É a ultima gota,
ultima briga.
Ultimo perdão,
ultima pá de terra,
em cima de um corpo estendido no chão.














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A culpa é dos ciúmes, das brigas, das desconfianças, das mentiras e da falta. O amor não tem culpa.

Eu já estava cansada disso tudo,
tantas discussões,
tantas escolhas,
muitos cuidados e precauções com algo que deveria ser natural.
Acontecer de forma inesperada, de um jeito gostoso.
Assim como um vento norte que bate em meus cabelos
e reduz o estresse a zero,
deveria ser assim.
Natural, sem ensaios,
modificações.
Pra mim, tava muito bom.
Mas você é instável,
livre demais.
quando eu menos esperava,
nós já tínhamos saído do controle.
Eu já não sabia o que esperar, o que querer.
Eu descobri que eu queria que você mudasse,
por mim, pela gente.
Mas ninguém muda.
Somos o que somos.
E a sua essência é maldosa,
o que mais eu poderia esperar?

























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