sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Ser, estar, permanecer.

O calor da sua mão invade a minha.
Nossa relação não nasceu em um passo.
Ela é construída a cada minuto,
a cada momento.
As vezes alguns pedaços são destruídos ou abandonados,
para que novos horizontes sejam descobertos,
ou novos recintos feitos de luz sejam construídos.
Somos arquitetos,
somos engenheiros.
Fazemos com amor.
Construímos por amor.
Somos quem somos por causa desse amor.
A nossa felicidade é uma filha desse sentimento.
O carinho é sintoma de corações machucados,
corações ressentidos,
que morreram,
para renascer.
Morremos para viver.
Deixamos para trás tudo que nos fazia não enxergar o futuro.
Construímos uma nova visão.
Entendemos a importância.
Captamos o estilo.
Hoje somos o que queremos.
Hoje queremos ser muito mais que "nós".
Somos a força, a luz.
Somos o eterno, o sempre.


Paixão e luar.

Meus cabelos balançam suavemente ao sabor do vento.
Estou em uma grande sacada que dá em um grande campo,
onde o verde da grama se compara com a intensidade do azul do mar.
Infinito, forte, incessante.
Eu olho para aquele infinito,
pura admiração.
O sorriso que brota em meus lábios não está ligado a imensidão,
nem a paz do vento.
Mas sim a noite anterior.
O que as estrelas testemunharam foi lindo.
Elas jamais esquecerão que um casal se amou como se o mundo fosse acabar.
Nossos lençóis era a imensidão do mar.
Nossa luminária era o grande astro luminoso,
o qual eu me referia a queijo na infância.
Mas hoje sei que a lua é feita de luz, massa,
e sonhos.
Muitos sonhos.
Me sinto liberta a olhar sua grandeza lustral nesta noite solitária.
Na sacada.
Pessoas dançam, conversam e satisfazem-se no interior da residência.
Eu estou aqui,
querendo somente que aqueles olhos verdes me penetrassem novamente.
Não foi a bebida,
não foi o vento,
nem as pessoas.
Foi você,
foi nossa energia.
Foi a sua ousadia.
Foi somente o nosso querer.
Foi o que fez a lua e eu dormimos felizes.
Um dever cumprido,
uma promessa feita.
É hora de ir.
É hora de voltar.
É hora de fingir não querer.


A impiedade do tempo.

Por vezes me pego pensando,
raciocinando em frente ao espelho.
O tempo é algo sem piedade.
Passa rápido demais,
faz os acontecimentos ficarem para trás.
E calmamente eles vão sendo esquecidos.
Se tornam uma caixa de foto,
ou lembranças vagas.
E ficam lá.
Cheiros, sensações, sentimentos.
A memória sensorial guarda informações sobre ocasiões importantes,
ou ocasiões que nosso cérebro julgue como importantes.
O tempo passa de uma forma tão devastadora,
que lembramos pequenos fatos de dias avulsos.
Mas não lembramos mais completamente dos fatos,
das horas.
O que eu pensei,
o que eu era,
o que eu gostaria de ser.
Essas informações já não vivem.
Estão longe,
em outra dimensão talvez.
Estão há pelo menos,
10 anos atrás.