Era somente mais um dia, mais uma noite, mais um sacrifício.
Por aquele que eu amo, faço tudo.
Ele está em casa protegido,
e eu aqui:
Exposta à maldade humana.
É mais um corpo, é mais um consumidor.
Consumidor não somente de corpo, mas de alma também.
A cada um que passa,
a cada um que me compra,
leva um pouco de minha alma consigo.
Não é um trabalho leal.
Não tenho indicadores de produtividade,
nem gráficos e nem pontos de equilíbrio.
Tenho somente a mim.
Tenho somente a sorte,
de encontrar nas ruas uma alma viva que ainda me queira,
que ainda queria uma noite de prazer egoísta.
Uma compra, um consumidor.
Não tive sorte,
nem pretendo correr atrás disso.
Já sou invisível para a sociedade.
Eu a odeio e sou odiada por ela.
O gosto amargo do gozo ardido me invade.
Mais uma noite,
mais uma vez.
Talvez essa seja a ultima.
Talvez essa seja a primeira.
Não se sabe,
mas eu sei que meu amado está lá.
Cuidado e sendo bem tratado com o dinheiro imundo,
que o alimenta e o mantém moradia.

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