quarta-feira, 18 de junho de 2014

Conservar algo que possa recordar-te seria admitir que eu pudesse esquecer-te.

O meu cigarro vai chegando o fim,
mais uma ultima tragada.
Eu tenho uma mania de cerrar os olhos enquanto penso em coisas,
e dou aquela ultima tragada.
Eu penso em nós, como éramos felizes.
Como todo o amor foi embora,
acabou,
sumiu.
Eu não consigo nem lembrar como eu te amava.
A sensação que havia,
o frio na barriga.
Não lembro mais como era te olhar,
te perceber.
Ouvir sua voz,
receber um bom dia.
Eu não lembro de mais nada.
Esqueci de nós.
Voltei a ser eu.
E agora, enquanto amasso a bituca do cigarro,
acompanho jovens saindo de uma balada qualquer.
Há dois em especial.
É um casal.
Ela ri, abertamente.
Ele está muito feliz também.
Os seus sorrisos são sinceros, estonteantes.
Nem lembro a ultima vez em que sorri assim acompanhada,
ou não.
Provavelmente foi com você.
Naquela vez em que eu bebi drinques e você me levou para casa.
Eu estava bêbada demais para conversar ou fazer qualquer coisa,
mas lembro de você me olhando, me filmando.
Nós estávamos deitados, cansados.
Você me amava tanto,
e naquele momento, eu lembro,
já havia esquecido como amava você.
Eu via o seu amor e sentia um peso.
Um medo,
uma insegurança.
Eu te amava, eu não posso negar,
mas eu tinha medo de perder,
medo de não conseguir te amar assim.
A química acabou, a vida, enfim, me mostrou o caminho.
Não foi difícil separar,
não foi fácil limpar todo o meu arquivo pessoal.
O mais difícil foi não acender o próximo cigarro,
para acalmar um espírito esquecido e carente de um amor,
que nunca existiu.




























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