terça-feira, 24 de junho de 2014

Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente.

O ar entrou em meus pulmões e eu finalmente respirei.
O coração batia acelerado,
e a vida corria em minhas veias.
Eu podia sentir a força invadir minha alma.
O calor de um corpo quente me abraçava.
Eu finalmente havia chegado.
Demorou tanto,
foi duro.
Mas eu consegui.
Aquele gosto amargo do alimento também está aqui.
Observo todos os passos dos que estão em volta de mim.
Entendo pouco,
mas observo.
Eu cresço também.
Passo a entender outras coisas.
Começo a entender até onde um amor desalmado pode levar.
A felicidade e a resistência era o alimento de todos meus dias.
A mesa farta e a casa cheia, essa era a minha vida.
A cama quente e o lençol me cobre.
O que a vida me reserva é muito mais que rude.
Eu vim por um perdão azedo.
Eu estou aqui para tentar,
para correr atrás do sucesso.
E quando eu apanho,
a outra face eu ofereço.
Sou tanta dor,
tanta.
A minha sede por morte, por vingança não sessa jamais.
Parece que eu perdi aquela inocência,
mas na verdade, tiraram de mim.
Quando eu durmo, tenho pesadelos.
Imagino coisas horríveis,
coisas que nunca deveriam estar em uma cabeça de criança,
mas na verdade,
estão lá porque foram colocadas.
Os fantasmas da minha mente insistem em presenciar todo o meu desfecho.
Então tudo fica preto,
a saudade aperta e a minha vida vira de cabeça pra baixo.
Toda a minha memória vai para um ralo sem fim.
Eu perco toda a minha força,
e toda a minha vontade de viver.
É sede, fome, frio, carência.
O tapa que arde,
a surra que não sessa.
Eu tenho vontade de fechar essa torneira de vida que insiste em pingar,
e me dar migalhas de uma alma.
Todos me odeiam.
Eu olho pro céu,
eu peço,
eu ordeno.
Ninguém que escuta.
Eu estou sozinha num mundo injusto, triste e obscuro.
A ajuda que me falta não está aqui presente,
mas o futuro me aguarda.
Eu tenho tanto na mente,
e tão pouco de verdade.
Eu vejo a chuva bater na janela
e penso no sofrimento.
Eu queria ser cada gota,
cada lágrima.
Ser livre para ir onde quiser,
ser livre.
A liberdade é algo difícil por aqui.
É intocável,
diferente do sofrimento,
que é palpável.
O que eu quero é criar asas,
não quero mais vingança aquele que me fez mal.
A escuridão vai me fazer ficar igual a eles,
tristes e incompreendidos.
Eu quero estar livre para ser quem eu sou,
da forma que eu quero.
Não quero demais,
quero o suficiente.
Quero estar perto de quem quer que eu esteja perto.
A tristeza então, se transforma em alegria.
Eu já não tenho pesos,
já fui curada.
Minhas feridas viraram cicatrizes grandes o bastante para me lembra,
não somente, de quem eu era,
mas de quem eu quero ser.



































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