domingo, 29 de junho de 2014

Tudo o que pode substituir-se com facilidade pode ser abandonado mais facilmente ainda.

Dizer que você foi tudo, é muito.
Eu acho que foi muito bom.
Todos esses anos que passamos juntos,
eu nunca te deixei.
Nem por um minuto.
Nos defeitos, nas qualidades,
eu nunca te deixei.
Eu sempre te esperava,
e esse talvez,
foi o grande problema.
Eu era aquela que seguia,
que concordava, apenas.
Minhas atitudes mostravam o que eu sempre fui:
Um coração solitário.
Eu me apavorava com isso,
porque se todos buscam alguém,
porque eu não poderia ter o meu também,
não é mesmo?!
Eu me sentia perdida e fora do meu normal quando vi você indo embora.
Você não foi embora, literalmente.
Ao longo desses 4 anos,
eu vi você indo embora, cada dia mais,
com motivos diferentes,
em momentos dispersos,
em horários que eu nem esperava.
A cada almoço,
em cada reunião você ia mais um pouco pra longe de mim.
Não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer.
Nada.
Eu tentei te segurar do jeito que pude.
Eu nos segurei.
Mas uma hora, a corda não aguenta.
Quando abri os olhos, e finalmente acordei,
percebi que esse sonho nunca existiu.
Que era um monólogo,
que você nunca esteve aqui realmente,
e que, se em algum instante esteve,
na verdade, não gostaria de estar.
O que você queria, eu não poderia te dar.
Uma pessoa perfeita, risonha, querida e que não enxerga defeitos.
Muito mais que dinheiro e uma vida farta,
eu busquei outras coisas em você.
Será que largar tudo não foi o bastante?
Ou foi muito?
Eu me larguei,
me joguei.
Você seria o curativo de todas as minhas feridas.
Quando eu dei por mim,
estava cheia de feridas.
Os analgésicos haviam acabado e eu me senti perdida.
Agora estou aqui,
sendo quem eu não sou,
vivendo uma vida que eu não queria.
Espero que você encontre o que tanto procura,
porque em mim, depois de 20 anos,
você desistiu.





















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