O que vai ser de mim
quando você esquecer tudo?
Quando você não lembrar mais de nada,
família, amigos?
Como vou contar a sua história para você?
Quando penso nisso, minha vontade é ambígua.
Não sei se choro pelo o que virá,
ou se sorrio por ainda ter você integralmente comigo.
Eu vou sentir sua falta.
E isso vai ser muito forte,
porque você ainda vai estar aqui,
mas a sua memória jamais voltará.
As vezes a sua mente falha,
e quando isso acontece,
eu vejo o quão frágil é o ser humano.
Pois, você sempre foi alguém forte,
batalhadora, e agora, está a merce de uma doença sem cura,
que irá lhe deixar usando fraudas.
Os papéis se inverteram,
agora sou eu o avô,
e você, a minha primeira neta.
Também me sinto sem chão,
sem base.
Na hora que o médico anunciou seu diagnóstico,
minha mente flutuou.
Parece tudo um grande pesadelo.
O mais difícil é não se deixar abater
diante de uma família que abandona,
esquece,
prefere fingir que não viu.
Assumir a responsabilidade sobre alguém que não vai dizer
nem ao menos obrigada,
não porque não quer, pois seu o tamanho da sua educação e bons costumes,
mas porque irá esquecer.
Sua mente simplesmente vai me fazer evaporar,
vai ser mais um pedaço,
mais alguns fatos,
que irão sumir.
Hora volta, hora some.
Você não irá só se comportar como uma criança,
como tantos leigos insistem em preconceituar esse mal,
mas irá se esquecer como se faz tarefas simples do dia a dia.
Atividades que antes eram rotina,
cruciais para uma boa vivência,
serão apagadas,
relembradas,
esquecidas.
E no fim,
sobrará eu.
Somente eu.
A sua mente irá terminar o trabalho perverso me esquecendo,
mas eu não vou me abater.
Porque eu cuido de você pelo o que você fez,
pelo o que foi,
pelo o que eu serei.
Um ato de amor,
é isso que eu farei da minha vida.
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