domingo, 31 de agosto de 2014

A melancolia é a felicidade de se ser triste.

Em cima de um monte,
de uma montanha ninguém pode me ouvir.
O coração já bate devagar.
Eu agradeço as entidades por este momento de desordem
e da paz de uma meditação.
No carro, com uma mão só no volante,
a direita arruma os fios que insistem a escapar do amarrador.
Ninguém a frente,
ninguém atrás.
O acelerador é pressionado por uma mania,
mas não há motivos pra chegar cedo.
Ninguém me espera,
eu mesma estou indo ao meu encontro.
Faço isso todos os dias,
e a cada dia encontro novos motivos.
O ser humano é realmente uma máquina maravilhosa.
As vezes estou perto,
as vezes longe.
A recompensa é sempre a mesma,
uma chegada e um lugar para descansar.
Uma bela paisagem mesmo,
são águas,
eu passo por elas,
e elas passam pelos meus olhos.
São lembranças,
são canções.
Já vejo minha casa de longe,
andei tanto para chegar aqui.
Lá está meu descanso,
minha morada.
Eu me sinto bem, calma.
Tudo vazio.
A fachada com flores coloridas
e a grama verde é testemunha do vento que lhe impõe movimentos
repetitivos.
A natureza é algo a se pensar.
Tudo vai, mas sempre volta.
Quero ser teu pó,
tua seiva.
Retornar à minha essência,
ao momento do sopro.
Estar diante de um dos momentos mais incríveis,
o nascimento da vida,
e o fim da morte.
O ultimo suspiro,
a ultima piscada.
Tudo preto.
Tudo escureceu e eu caminho entre as flores.
Sou o vento que movimenta a grama,
e as ondas que levam e trazem águas.
Não há mais nada aqui,
vou embora.




























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Radiografia cardíaca. | De repente o silencio os pensamentos se misturam.

Seria injusto eu reclamar a alguma instituição divina a falta de alguém perfeito ao meu lado, se eu mesma, não chego nem perto disse. Com a boca muito maior que o mundo e a consciência de si própria menor que capacidade de perceber o próximo, eu me sinto vítima das vivências mundanas. Vejo a vida muito mais no preto e branco que de fato, como ela mesma é. Tenho a incapacidade de perdoar as pessoas por elas serem como são, ou seja, diferente de mim e sou egoísta ao ponto de exigir que tenham as mesmas manias que as minhas. Eu, eu e eu. Vivo em volta do meu umbigo e não sou hipócrita em relação a isso. Ops, lá eu tendo a boca maior que o mundo.

Nunca exigiram que eu fosse perfeita, só que fosse responsável, perdoasse o mundo por suas dores e ajudasse quem quer que fosse. O tempo passou, continua passando e o que penso nesse segundo pode mudar daqui a um minuto, mas o fato é que me considero uma perseguidora da perfeição e sofro de uma ansiedade eterna, um câncer casual. Algo que vive comigo, intrinsecamente. Tenho a incapacidade de ver meus atributos mentais, consigo ver dos outros, mas quando olho no espelho, o que vejo é sempre tão pouco. Não chega nem aos pés do que eu esperava ser com 22 anos. Me sinto um balão vazio, pronto para ser enchido, mas por algum motivo, não vai. Acho lindo essas pessoas que conseguem se ver, mas eu acho que sou cega para minhas qualidades e tenho o olho muito grande para os defeitos.

Sou chata, afrescalhada e detalhista. Pior, perfeccionista. Esse ultimo é o pior deles. Tenho a melhor pessoa do mundo ao meu lado e sempre acho que sou pouco para ele. Quando ele me faz algo bom, automaticamente ativa um algoritmo em meu cérebro me dizendo que sim, há necessidade de retribuir. Tudo tem que ser perfeito, eu prefiro sentir dor. Não faço, não reclamo. Acho que estamos na terra para aprender a sermos duros e que nossos primeiros 30 anos são centrados nisso. O fato de eu não ter uma visão periférica e não admitir viver uma vida prazerosamente, me corrói todos os dias. Eu me sinto vazia, um ralo me sugando, cada gota de mim indo embora e tudo que tenho são sobras de alguém que já foi, não vai mais ser. Já acabou. Tudo que tenho é muito, principalmente para quem sou. Não mereço isso tudo.

Viram? E isso vicia, sabiam? Eu penso nisso e gosto, esse é o pior. Eu não deveria postar esse texto, na verdade.

A vida é cheia de revira-volta, eu sei. Um dia estou mal, no outro pior. O que sinto é como se fosse tão pouco, a ponto de ser nada. Mas quando vejo números, me sino feliz durante alguns minutos, pois sei que foi meu esforço, meu presente.

Se tem algo que me faz feliz, é te ver feliz. Te ver assim, sorrindo, seja quando é por causa de mim ou porque algo fechou, deu certo. Eu quero teu sorriso sorrir na minha alma. Quero que você me deixe a sua marca, quero parar de me exigir perfeição. Estar com você é perfeito e o que estraga isso é essa parte minha, essa minha ignorância sobre eu mesma. Não me acuse, não tente entender. Só esteja, Me abrace e me perdoe por eu ser assim, e possivelmente, morrer assim. Não há explicações, nem justificativas. Eu sou e você me completa. O que eu posso dizer é que sem você,  sou somente eu e a gente brinca de sermos maravilhosos juntos. Nosso abraço é o lugar mais incrível para se permanecer, se eu pudesse nunca sairia. Não fique longe de mim, não me deixe ter crises de abstinência amorosa sincera. Eu te amo, nós nos amamos, e isso é tudo.

Agora a pergunta que não quer calar: Porque eu escrevi tudo isso? Não sei, eu nunca sei porque escrevo. As palavras saem na ordem delas, no momento delas e se um dia eu perder minha inspiração, já não serei mais eu.























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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Ninguém está livre de dizer tolices; o imperdoável é dizê-las solenemente.

Como trair uma vida,
como estar no local errado,
no momento exato.
O sangue que corre nas veias doentias.
Uma vida devastada,
um desmatamento contínuo e obscuro.
Eu queria trocar de lugar,
queria poder ser mais.
Queria ser mágica, poderosa,
milagreira.
Mas o que eu só posso fazer é pensar positivamente.
Torcer para que o corpo não traia a mente.
Querer que os dias passem devagar
e rápido.
Controlar todas as palavras,
gravar todos os momentos.
Ser perfeita quando possível,
ou não.
Ser espiritualmente e mentalmente correta,
não me deixar levar por instintos e vontades meramente
humanas.
Quero fazer tuas vontades,
contar contigo,
e estar 100% do tempo em contato contigo,
porque eu sei que vai acabar.
O relógio está trabalhando rápido,
e sem dó.
A minha liberdade está sendo oprimida ao mesmo tempo que a sua vida vai-se indo.
Eu sinto você escorrendo entre meus dedos,
e não há nada que eu possa fazer.
A vida é injusta
e a morte é tortuosa.
Você sabe que ela está ali,
faminta,
mas nunca sabe quando vai acabar realmente.
E quando acabar?
Como vou entender?
A vida não cura,
quem cura é o tempo.
E esse passa rápido demais.
Principalmente quando estamos errados
e insistimos em não nos desculpar.





















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Sem idéias, a evolução humana seria inexplicável.

Hoje é um dia especial,
o dia em que a minha vivência vai se realizar.
Estive me preparando para isso a tanto.
Todos empenhados,
preparados,
ansiosos
e esgotados.
A preciosa e estimada alegria inesgotável está aqui,
dentro de mim.
A maquiagem de uma alma vai ser feita
para a preparação de um ritual
detalhadamente preparado,
e muito intenso.
O rito de passagem,
o real crescimento.
Quando se está no fogo não se percebe,
mas quando olhamos para trás e percebemos as dificuldades,
percebemos como foi difícil sair e entrar em outra fase.
Não existe uma vida inerte,
um objetivo sem luta.
O que me move são acontecimentos,
dificuldades e realizações.
A facilidade normalmente vem sozinha,
e a verdadeira alegria é estar acompanhado.


















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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.

Em cada um, a beleza de um mistério.
Se quer entender,
se perca.
Se quiser se encontrar,
jamais entre aqui.
Porque aqui é lugar longe,
um labirinto de conhecimento,
e só existe uma chegada:
Si mesmo.
Não há atalhos,
nem outras vias.
Quem escolhe trilhar esse rumo,
não se arrepende,
nunca quer voltar.
Não é estático,
inerte.
É um turbilhão de ideias,
formando uma linha de pensamento.
Nunca tem fim.
É inesquecível
e altamente viciante.
Não se esconda
queira estar aqui e seja você.
Não se cobre,
nem queira chegar primeiro.
No caminho das páginas,
de linha em linha,
as letras formam estradas,
que te levam a outra dimensão,
a um olhar sobre alguém que eu chamo
de eu.


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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Reconstrução pessoal.

Meu duro coração é capaz sim, de amar.
E muito.
Minhas mãos capazes de oferecer carinho.
Minha mente de formular as palavras mais belas em uma ordem inesquecível,
para quem ouve, fala, vê, observa.
Mas há algo em mim que eu não consigo mudar,
nem a base de ferro quente,
muito menos no sofrimento.
São aspectos, comportamentos intrínsecos da minha personalidade,
e que eu simplesmente não os vejo.
Eles são meu ponto cego.
Sei que está lá,
mas não consigo ver.
Não é falta de atenção,
nem carinho.
Sou eu.
E se um dia eu conseguir mudar isso,
ainda não serei quem eu gostaria de ser,
simplesmente porque sou eu.
E talvez eu só veja o que eu fui
a partir do momento que eu não for mais.
Preciso parar de me importar,
de me despedaçar em frente a coisas que eu acho que me fazem mal,
mas na verdade é um grande nicho,
cheio de nada.
Eu sou um fundo falso,
tenho coisas guardadas que só eu sei o lugar
e como achar.
Não é ciume,
é vontade de ser,
estar, participar.
Inveja que causa uma vontade de destruir
e a razão que vem pra me grudar ao chão
e me lembrar que só eu sendo eu,
que posso ser melhor.
Cada um tem seu espaço,
sua casa.
E a partir do momento que você passa a visitar outros espaços,
fazer parte de outros lares,
a sua alma se despedaça.
Porque, na maioria das vezes,
você encontra algo que estava escondido,
perdido.



















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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Eu só pediria licença para lembrar que os alienados são precisamente os que têm uma ideia fixa.

Nos anos 90 sonhamos com uma humanidade feita com robôs,
automáticos,
sem erro,
objetivo.
Sem sentimentos,
sem desejos, secos de alma.
Somente fazem aquilo que são programados e mediante solicitação.
Enfim conseguimos aquilo que ansiamos.
Chegamos a um ponto em que os mais tecnológicos enxergam a vida como nichos,
espaços a serem preenchidos.
Cada vez mais esquecemos em que espaço devíamos estar.
Estamos nos esquecendo,
nossa essência.
O que somos sem celular?
Não, não é critica.
É a realidade nítida, crua, verdadeira e singular.
Sem ambiguidade,
estamos perdidos,
e cada vez mais nos procurando.
Algo que era natural, se tornou uma linha de programação.




























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sábado, 2 de agosto de 2014

Ser grande, é abraçar uma grande causa.

Esse clima pesado,
e todas essas pessoas tristes, infelizes.
A prestação é luto é algo realmente fascinante.
É um adeus, com um sabor de até logo,
e com vontade de ir junto
E, ao mesmo tempo, ninguém entende nada.
Uma vontade louca, natural e humana de saber a justificativa,
um instinto materno e normal.
Não entendemos porque o fim,
porque o ponto final.
Quem decide quem vai, quem fica,
quem sofre e até quando a dor permanecerá.
Em alguns ela é viva,
assim como nosso corpo,
em outros ela é passageira,
e logo vai embora.
Mas a nossa real ânsia é entender porque,
quem é esse ser super poderoso que nos guia da vida,
até a morte.
E porque diabos, não consideramos a morte
uma parte da vida.
Até o ultimo suspiro,
ultima tentativa,
ultima lágrima.
O ultimo luto,
aquele adeus que permanece na memória,
que quase nos leva junto.
É, somos fracos e imaturos,
pra sempre seremos.
A dor é presente,
mas a morte é passado e futuro.
Uma dor futura é perda de tempo.
Um abraço é uma forma eficaz de imortalizar o carinho.




















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