sexta-feira, 19 de setembro de 2014

É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela.

Ele era feio, asqueroso e cheirava mal.
Seus dentes amarelados denunciavam a completa noção de higiene.
Roupas rasgadas e sujas.
Quando eu o vi, ele estava colhendo algum tipo de planta.
Em suas vestimentas havia sangue.











 



Eu tive medo e pensei em gritar,
mas não conhecendo a criatura, nem tendo visto nada parecido até então,
resolvi ficar quieta e pensar em algo rápido.
Por incrível que pareça,
a criatura me olhou, percebendo talvez minha magreza,
desprezou-me e tornou a colher sei lá o que.
Soltei o ar preso em meus pulmões e fui embora.
Eu queria ter tirado foto, filmado ou qualquer outra forma de provar a existência de um animal tão diferente.
Quando tornava meu caminho normal, sem atalhos ou outras passagens,
ouvi passos,
borburinhos,
folhas secas,
respiração, umidade, cheiro ruim.

















A tal criatura me agarrou,
me levou junto de si.
Eu me revirei em gritos desesperados,
os mais altos possíveis,
tentei correr,
chorar,
providências divinas,
tudo em vão.
Já sem esperanças de um final amigável,
o tão monstro me largou.
Me jogou, melhor dizendo.
E eu tentei correr,
mas meus olhos foram invadidos por uma visão digna de filmes.
Uma linda visão.
Quando eu olho, então, para a toca do bicho,
vejo uma linda e rosada criança.
Uma criança, um bebê.
E ele não é um monstro verde e asqueroso,
é lindo.
Absolutamente lindo.
























Eu o pego, sem tirar os olhos da criatura com medo que ela me avance.
Mas não, ele me deixa pegar a criança e levá-la comigo.
Eu caminho calmamente para longe do monstro,
mas nem preciso tomar tantas providências.
Ele se afasta de mim também.
Sem entender nada,
eu tento ver se está tudo bem com o bebê, pois não há barulhos normais.
Ele está em um sono profundo e gostoso.
Seu cheiro de criança me deixa tão viva,
tão feliz.
Há vida então.
Mesmo sendo um lugar remoto,
com seres vivos estranhos,
há beleza e leveza.
Ainda há esperança.



Este conteúdo faz parte da propriedade intelectual dos autores do amandashh. Não copie sem fazer a devida referência. Obrigada pela compreensão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário