domingo, 28 de dezembro de 2014

Pequenas mudanças- Pânico


 Me cobri com o edredom, peguei minha carteira de cigarro, sai do meu quarto e tranquei a porta. O corredor não era muito longo, mas estava muito escuro iluminado apenas por uma lâmpada fraca que para meu azar e medo piscava repetidamente.

 Fui em direção a escadaria, decidi que queria ir na “área de lazer” do prédio, que, na verdade, era uma caixa de areia gigante com brinquedos infantis quebrados e enferrujados, quem encostasse nos brinquedos, com certeza iria pegar tétano. Fui descendo lentamente para não fazer muito barulho e para não tropeçar nos degraus, afinal estava tudo terrivelmente escuro, e estavam me dando uma sensação de pânico e claustrofobia que eu nem sabia que tinha, as únicas coisas que eu escutava eram meus passos  no escuro.

 Ou era...

 Logo comecei a escutar outra coisa, bem atrás de mim, na minha nuca, suavemente escutava uma outra respiração que não era a minha, logo não só escutava como também sentia um ar úmido e quente.

 O pânico aumentou, eu travei nos degraus, minhas pernas queriam correr, chegar no térreo, gritar... o pânico não deixava. Escutei uma voz grave, alta e masculina vindo do alto das escadas... Ele  falava lentamente.


-Raaanaaaa... Ranaaaaaaaa...

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...

Eu te olho nas fotos e lembro da sua voz lenta e rouca. Você era tão calmo, tão sereno. Seu abraço era de extrema junção, eu me sentia seriamente apertada nele. Não era algo que eu deveria reclamar. É só pra me lembrar que eu nunca mais vou ver alguém assim, tão intenso e perfeito. A vida tem me tirado muita riqueza e uma delas foi você. Eu quero um dia olhar pra tudo e saber que há um porquê, uma justificativa, por enquanto eu não entendo. Como posso compreender e me conformar? Não tem como. Eu sou muito pequena diante de tudo isso de todas essas coisas. Ouro, prata, não significam nada. O que eu perco de verdade são riquezas que a minha alma trás e você era uma delas.


























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Todo o ser humano é um estranho ímpar.

Para dominar o coração de um poeta se faz necessário um laço, uma corda que se possa dar 1000 nós e uma língua que caiba todos os sentimentos. Dentro de um coração difícil de ser totalmente dominado há ventos que sopram sofrimento e tempestades de felicidades instantâneas e rápidas. Uma chuva de perfeccionismo que nos consome, persegue e nos contamina. É doentio esse coração, mas é um labirinto também, porque a partir do momento que você entra, sempre há o risco de se perder, e quando isso acontece ou você tenta incessantemente encontrar a saída, ou tenta nunca mais se encontrar. Não é impossível nos entender, mas para isso, é necessário se perder também. Se jogue nos sentimentos que mudam e se brigam por serem contrários. Esteja em qualquer lugar pensando em textos e capítulos, e mais que isso, viva essas palavras, dê sua vida a elas, mas não é qualquer vida, é uma vida independente de tudo. Entregue-se a essa depressão de pensar testando, imaginar saboreando e se vingue de suas ideias. Se misture as suas músicas, faça com que elas sejam o ar que você respira e pire. Saia da casinha e entre em outras. Enlouqueça completamente e no final, escreva um texto sobre tudo que você viveu. Faça rima, jogos hipnotizantes e não se esqueça jamais de fazer as palavras dançarem no seu ritmo. Isso é ser poeta.




















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domingo, 21 de dezembro de 2014

Pequenas mudanças- Mais pesadelos


 Dona Lurdes apareceu com um prato quente de sopa e uma cartela de remédios, falou que podia ficar com todos, agradeci e comecei a comer . Ter os gatos me encarando, me deixou em uma situação muito “chata”, tive vontade de levantar e ir comer em casa, mais seria muita falta de respeito.

 Assim que terminei de comer, o gato que estava embaixo da mesa subiu em cima da mesma, me olhou, e quando eu menos esperava, pulou na minha cara deixando  um arranhão , instantaneamente coloquei  a mão no rosto e soltei um “ai “ alto, a velha imediatamente apareceu com uma cara assustada. Meu rosto ardia bastante, assim que  afastei minha mãos vi um pouco de sangue.

-Criança vocês esta bem? Perdoe meu gato, não estamos acostumados com visitas.

 Minha vontade naquele momento era de matar o gato, mas isso não ia cair bem.

- Tudo bem dona Lurdes eu lhe entendo, já estou de saída. Obrigado pelos remédios e a sopa. Amanhã prometo que lhe pago.

 Sai do apartamento com a mão no rosto, e logo entrei no meu, fui direto para o banheiro para ver o tamanho do arranhão.  Era consideravelmente grande, pegava desde a minha orelha até metade da minha bochecha . Lavei o rosto ( ardeu bastante por sinal ) e logo tomei o remédio e fui me deitar.

 Tive sonhos estranhos novamente, com os gatos da dona Lurdes, com Erick , com a droga do bilhete que eu ainda não havia descoberto de quem era, acordei suando. Minha cama estava úmida, minha roupa molhada e estava frio! Legal mais fatores que iriam piorar minha gripe,  eu estava torcendo para que o remédio da velha fosse potente.

 Levantei fui tomar mais um banho, assim que sai troquei as roupas de cama, e percebi que estava sem sono, fiquei sentada na cama olhando a parede vazia, os minutos não passavam, era uma hora da manhã, eu devia estar dormindo.

 Uma pessoa sensata iria deitar e continuar a tentar dormir , mas eu cheguei a conclusão que sou uma pessoa com parafusos a menos,  eu decidi andar pelo prédio.

 Uma pessoa sensata iria deitar e continuar a tentar dormir , mas eu cheguei a conclusão que sou uma pessoa com parafusos a menos,  eu decidi andar pelo prédio.

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Ultraviolence

Esse amor doente, sem nexo, que me prende, me amarra, não me leva pra frente e não me faz voltar. É um sentimento doentio que me maltrata, faz doer e me deixa manchas roxas. O único que ri na nossa relação são seus olhos, sedentos de prazer por me ver suplicar, pedir. São só eles que riem. E os meus choram quando eu tento fugir, me ausentar e você pede pra que eu fique, que me ama, adora e precisa de mim nos teus dias mais insanos. E eu fico, cedo e tudo volta a ser o que você quer, do jeito que você manda. É assim que funciona com a gente. Isso me suga tanto, me faz tão mal.














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Go away.

Apagadas uma a uma, as nossas fotos não são só fotos, são objetos que guardam nossas lembranças. Agora elas estão em uma lata de lixo, bem guardadas. Foi bom enquanto você esteve aqui, mas se não me fez melhor, por favor, vá embora. Eu me vejo, eu vejo nós, que seguimos por um outro caminho. Talvez em outra dimensão tenha sido diferente, mas a que sinto agora, não aconteceu do jeito que eu imaginava, e talvez eu não fosse quem você esperava. O que ficou aqui é uma mulher bem resolvida e feliz, porque o peso que eu carregava, por no fundo saber que nós éramos muito pra você, estava pesado demais. Quero que vá, não olhe, não me abrace, nem deseje coisas boas. Pegue seus votos de ternura e dó e vá embora. Leve eles consigo pra dentro de ti. Agora eu me sinto leve, a pesar de ainda estar um pouco vazia sem o pedaço que era você, mas ainda me sinto bem e pretendo ter essa sensação por muito tempo. Não vou mais cair no sorriso bonito e no olhar fácil demais. O que eu quero nem eu sei, eu sei que eu quero querer e no momento, o que desejo é viver longe de você. Por favor, vá.


















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sábado, 13 de dezembro de 2014

Pequenas mudanças- Sou um gênio



 Cheguei em casa toda molhada e com frio, fui direto para o banho quente, parecia que minha pele tinha congelando . Logo que sai do banho, senti meu estomago doer de fome, e comecei a espirar. Eu havia esquecido de passar no mercadinho da esquina e com certeza estava ficando gripada, e não tinha nenhum remédio comigo.

- Sou um gênio.

 Decidi que iria falar com a vizinha dos gatos mal humorados.

 Lá estava eu batendo na porta da velha, ela abriu uma fresta para ver quem estava incomodando  aquela hora da noite. Ela me olhou  feio e falou em uma voz rouca.

- Oque você quer criança?!

-Eu apenas queria algo pra comer, e algum remédio pra gripe , esqueci de passar no mercadinho da esquina e a essa hora já esta fechado.

 Ela fechou a fresta de uma forma brusca. Suspirei, é claro que ela não iria me dar , ela nem me conhecia.

 Assim que dei os primeiros passos para voltar para o meu quarto , escutei barulhos dos trincos da porta, e a velha abrindo-a. Continuava com a cara mal humorada.

- Venha criança entre, sobrou um pouco de sopa.

- Perdão nem sei o seu nome... Senhora??

-Lurdes.

 Ela me respondeu deforma ríspida. Estava mais pra Bruxa do 71 com os seus gatos, capiroto, Belzebu, Lilith e Satanás. Mas continuei com a forma mais civilizada que eu conhecia, e que o reformatório havia me deixado lembrar.

-Obrigado senhora Lurdes! Prometo que lhe pago amanhã!


 Entrei timidamente no apartamento, ela me convidou para sentar na mesa da salinha minúscula, vi um gato em cima do armário me encarando de forma estranha, logo embaixo da mesa tinha outro da mesma forma. Ok, isso estava ficando desconfortável, dei uma olhada na sala  e vi mais três gatos me olhando de forma insistente. Tinha algo errado. E era comigo.
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domingo, 7 de dezembro de 2014

Pequenas mudanças- Perturbações...


 Olhei para o rapaz com mais atenção, de cima a baixo,  forçando a minha memória buscar algo familiar. Aqueles olhos azuis , eu conhecia de algum lugar, cara alto de ombros largos e pele clara, e muito mal humorado por sinal, me olhava da mesma forma.

- Rã ?!

Como ele sabia esse meu apelido horrível? Só eu sei como eu odeio ser chamada de “parente do sapo".  Ele mudou a expressão para algo parecido como surpresa, logo deu um leve sorriso. Aquele sorriso o denunciou . Sussurrei .

- Erick?

-Sim!

Eu o conheci quando ainda era criança, brincávamos no parque ao lado do nosso prédio, eu morava com meus pais...  Até que... De repente via expressão de Erick mudar, ficou sério , com ar frio.

- Apenas quero um isqueiro...

 Lembro que ele também foi para um reformatório, um pouco mais distante que o meu, mas saio antes de lá por dois motivos: primeiro, ele era 3 anos mais velho que eu e segundo ele não havia cometido um crime, seus pai morrerão no mesmo acidente que os meus.

Alias acidente que eu causei. Agora da pra entender o porque ele ficou sério de repente. Fiquei sem reação, não tinha muito oque fazer, afinal anos já haviam se passado, pedir desculpas não ia adiantar, a culpa também não era exatamente minha,  estava na cara que ele foi mais uma vitima da mídia.  Então apenas peguei o isqueiro, entreguei pra ele, ele rapidamente me pagou e saiu da loja.       


Aquele acontecimento me perturbou o resto da tarde inteira, não consegui terminar de limpar a loja, acabei ficando terrivelmente incomodada, todos os acontecimentos voltaram na minha cabeça em forma de tsunami. Quando acabou meu expediente, me despedi do Sr. William e fui para casa. Assim que coloquei meu nariz pra fora senti até minha alma congelar, tinha 30 cm de neve na rua. Mais um dia que  eu ia chegar ensopada em casa, e com uma provável gripe.

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